
Há no amanhecer
Um navio a nos conduzir
A sonhos possíveis!


Diante do sol
Onze-horas
E o dia correndo nas horas...
As flores se entregando em cores
Brancas amarelas cor-de-rosa
Feito uma poesia ao dia
Onze-horas
Flores lançadas à alma
Dos olhos passantes
Suspensas em vasos nas janelas
Recostadas às paredes
Das casas em primavera
Onze-horas
Volta o menino da escola
Cruza pela pracinha e vê
Nos canteiros em pleno sol
As flores animadas
Onze-horas
Anunciando o almoço
Antes do se ir das horas
Pois fecham as portas
Em seu concerto
Solar
De amor

Uma manhã quente
Denuncia o verão.
Uma andorinha busca abrigo
Dentro do ninho.
O céu sem nuvens
Traz um azul triste
Acinzentado de sonhos.
Um batalhão de formigas
Segue com folhas secas
Agasalhando a cabeça.
Na faveira em frutos
Um senhor de cabelos brancos
Com uma vara de bambu
Recolhe alimento
Para o gado que muge
Pras bandas dum riacho.
No alto do céu
Uma ave de rapina
Com seu voo
Investigador
Avisa que está ali.
O vento incendeia
As pétalas das flores
Enquanto o fogo
Do sol corre
Dentro da caatinga
Mandando o sertanejo
Baixar uma rede
Ao meio-dia...

Eu pedi o sol emprestado para fazer um poema
Peguei no giz branco e tracei um círculo no quadro-negro
Esforcei-me para desenhar raios bem traçados
Queria desabrochar um sorriso nas pétalas da manhã
Era meu dia de regar o jardim... Fiz um girassol!
Abri fronteiras para botar um passarinho voando
E fiz um céu azul com pequenas nuvens brancas
Uma casinha abaixo com um portão aberto à vida
O difícil foi escolher que caminho traçar da casa até o riacho
Dependia do olhar da poesia (toda prosa!)
Acompanhei com os dedos a árvore em flores na estrada
Então eu vi uma borboleta seguindo meu olhar
Caprichei na letra e escrevi um verso em suas asas
“Meu coração é uma criança sempre!”

E lá estava o menino dentro do mato com os olhos assustados. Viu uma borboleta voando e sentiu medo. Inocente criança!
Era hora dos meninos... Ele saiu do mato e correu pela varanda. O mundo tão grande, e tão pequeno o menino.
A borboleta cruzou o espaço a parou ao lado de uma flor... perto de onde sentara o menino. Os olhinhos assustados grudaram-se no animal tentando sentir-lhe a reação. Nada. Só esvoaçando as asas multicores de lances laranja. O menino ficou sentadinho na pedra onde fora “perseguido” pela borboleta. Quieto, só recebendo as cores da vida.
Ser criança é uma poesia, pensei de minha cadeira preguiçosa. No quintal de minha casa uma mensagem da vida – receber dos olhos de uma criança um sorriso da tarde. Meus olhos marejaram!... Senti-me pequena diante de tão grande sabedoria.

Quando abro meus olhos
Dentro de meu coração
O homem que eu amo
Nesta vida me vem
Em um turbilhão de desejos.
E a voz dele quente sensual
Murmura em meu peito
Palavras amadas
Num sonho de amor.
Então declaro a ele
O que penso
O que espero da vida
Quando meus olhos o veem
Assim perto de mim.
Nessas horas de fantasia
A pele vai conhecendo
O cheiro másculo
O sabor do beijo
O toque das mãos
Que viajam em meu corpo.
Quando meus olhos
Provam das palavras
Escritas em meu coração
Muito embora numa fantasia,
Explico à minha razão
Que não vivo sem amor.