
Dentre véus a aranha
Oferece o sertão ao sol
(: Na teia orvalhada!...)

E um som suave de águas brincando nas matas e nos olhos do céu sobe em minha pele. Aparecem flores simples e vozes de pássaros canoros. Olho a mata e fico pensativa: “Que bela é a vida numa gota de orvalho!”
Uma gota de orvalho. Sim. Na ponta de um capim há uma gota de orvalho. Entregue ao sol que nasce sem medo de morrer. Misturando-se com o frescor da manhã no banho matinal de meus olhos. Afloro em lágrimas. Sou uma saudade, um resto de madrugada, um desejo de amar...
E sinto o calor da manhã... saudando as matas... correndo de menino com o vento em raios quentes... “É o sinalzinho da morte da gota de orvalho!...”
Uma gota de orvalho... A noite inteira cuidando da vida na mata... Ouvindo o estalar dos capins, das ramas de salsa, das flores silvestres fechando a porta das pétalas!...
E agora morta!... Vem uma pontada de dor a meu coração... Viajo os olhos nos raios do sol... “A vida tem de seguir...”
... E na claridade da manhã escuto o sino da igrejinha, longe, soprando uma oração ao dia que nasce (:) Em gotas de orvalhos!...
Meu coração enternecido abre a porta da vida, desce as escadas da noite, e me leva com ele, num rompante de sentimentos. Acompanho suas pegadas. Vira logo à direita e senta-se embaixo da árvore em que nos beijamos pela primeira vez.
O primeiro beijo guardado na imagem. Resgatado na noite que se abre diante de meus olhos. Ressuscitando o cheiro de tua pele, o sabor de teus lábios. E te sinto presente!...
... Uma noite, em teus braços, quando a lua se escondera nas nuvens negras, teu rosto, junto ao meu... Ouvi tua voz sussurrando... _ Tua voz... teu cheiro... _ Teu cheiro... um aroma de querença... erguendo meu coração nos braços do amor.
Desvio meu olhar por um instante, neste momento... Ah!... a lua se escondeu, como outrora... entre as ramas das nuvens... tirando meu coração do chão em que se sentara debaixo da árvore... E o vento passa agitando meus sentidos...
A lua rasga um véu por entre os galhos da árvore... E já não estou sozinha no meio da noite... “Teus passos surgem... na porta de minha vida”. Meu coração corre na imagem de teus olhos...
Que meu coração seja cravado
Por teus lábios sussurrando:
_Amo-te!
E numa chama de fogo
Eu seja consumida por teus beijos
Numa era imortal
Ah, minha vida já não existe
Senão em teus braços
E na distância de teus olhos
Guarda-me em tua alma
(:) Sou eco de teus versos
Já que a vida nos traz
Noites de amor
Eterniza-me em tua poesia
Para que sejamos
Versos dos amantes


Abre-se ao dia. Um céu azul a sua frente.
Nuvens sugerindo animais (:) um coelho, um anum, borboletas...
Há um encontro do vento nas pétalas.
Ri-se deliciada. Refrescante brisa a beijar-lhe. Embriaga-se. Sente-se uma poesia.
Aos poucos vai inalando os cheiros a seu redor.
O mato verde transpira perfumes silvestres: mameleiros, jatobás, pequizeiros, canelinhas.
Folhas cantam em movimentos harmoniosos em sua trajetória solar.
Dão-lhes satisfação. Pelo chão, germina vida.
Perto do entardecer, sente-se feliz. Sabe que virão as estrelas e lua a lhe versejar.
Há namoro no ar. Limita-se a contemplar o pôr-do-sol.
Em suave cumplicidade retoma um pensamento de poeta:
Visualiza o tigre alaranjado ao cair da tarde.
Agora é visitada. No corpo, novos sons: Sbip... Sbop... Sbip... Sbop!
Em suas digressões não havia percebido o sobrevoo da abelha em apaixonado pouso em seu estigma.
Aberta ao findar do dia é uma flor exalando sexo. Terna, deixa-se polinizar.
Beija o sol dança
Entre os raios multicores
Vai e vem como uma folha ao vento
Vrá... Vrá... Vrá! Vou lá!
Murmura a borboleta- menina
Branca para no ar fascina
A flor... Então senta
Conversa toma café
Olá! Que aroma delicado!
Ensaia um novo gracejo
Já com as asas abertas...
Belo é teu olhar... No ar!
Hum! O sol já me queima
Não há como ficar...
Outro jardim pede por mim...
Plim... plim... plim!
Ah! Esse lugar é próprio a amar!
Que faço se só sei borboletear?
Beija as pétalas e sai a voar...
Num poema de amor
Entrego minha alma a ti
Assim sem explicações
Sem razões do sentir
Apenas dizendo deste meu querer
Pois sempre que penso em ti
Envolvo-me em chamas de desejos
E este poema cativo de meus sentimentos
Contempla as portas de meus sonhos
Elas estão abertas aguardando tua chegada
Enquanto meu verso conta que te ama
Observando a beleza do outono em seu cair das folhas
Todavia desejo é que estes versos caiam no chão dos olhos teus