
Dentro da história
Um fato negado ao mundo
(: Crianças cativas!)

E lá estava o menino dentro do mato com os olhos assustados. Viu uma borboleta voando e sentiu medo. Inocente criança!
Era hora dos meninos... Ele saiu do mato e correu pela varanda. O mundo tão grande, e tão pequeno o menino.
A borboleta cruzou o espaço a parou ao lado de uma flor... perto de onde sentara o menino. Os olhinhos assustados grudaram-se no animal tentando sentir-lhe a reação. Nada. Só esvoaçando as asas multicores de lances laranja. O menino ficou sentadinho na pedra onde fora “perseguido” pela borboleta. Quieto, só recebendo as cores da vida.
Ser criança é uma poesia, pensei de minha cadeira preguiçosa. No quintal de minha casa uma mensagem da vida – receber dos olhos de uma criança um sorriso da tarde. Meus olhos marejaram!... Senti-me pequena diante de tão grande sabedoria.

Quando abro meus olhos
Dentro de meu coração
O homem que eu amo
Nesta vida me vem
Em um turbilhão de desejos.
E a voz dele quente sensual
Murmura em meu peito
Palavras amadas
Num sonho de amor.
Então declaro a ele
O que penso
O que espero da vida
Quando meus olhos o veem
Assim perto de mim.
Nessas horas de fantasia
A pele vai conhecendo
O cheiro másculo
O sabor do beijo
O toque das mãos
Que viajam em meu corpo.
Quando meus olhos
Provam das palavras
Escritas em meu coração
Muito embora numa fantasia,
Explico à minha razão
Que não vivo sem amor.
Quantas coisas, podemos ver nos olhares das crianças
eles são límpidos e puros
não conseguem camuflar seus sentimentos.
Estes pequenos com seus folguedos,
em suas grandes ou pequenas travessuras
trazem de volta para nós a pureza
a lembrança de como o mundo é simples.
A lógica dos pequenos
as resoluções simples para os problemas
fazem-nos sorrir tão fácil
como seria bom, se tudo fosse assim.
Se nós os ensinamos o abc da vida
se nós os ensinamos os primeiros passos
porque nós não podemos aprender com eles
o quanto o mundo pode ser simples.
Ah! Eu quero ser como as crianças
que não importam onde estejam
correm de braços abertos
e pulam no pescoço de quem amam.
Ah! Eu quero ser límpida como eles
quero acordar a criança, que está dentro de mim
não quero mais complicar a vida
quero ter o direito de sonhar.
Ah! Mas antes quero me tornar um furacão
implacável para varrer da terra
todos os que se destruíram
destruindo implacavelmente os sonhos dos inocentes.
Aqueles que fizeram com que os olhares dos pequenos
outrora tão confiantes se tornassem repletos de desconfiança
aqueles que os tiraram de seu mundo puro
levando-os para o mundo das desilusões.
Aqueles que mostraram sorrisos afáveis
apenas para enganá-los
tirando proveito de suas inocências
induzindo-os a um caminho sem volta.
Ah! Eu quero sim poder reparar os erros dos canalhas,
quero uma chance para os pequenos desviados
quero ressuscitar dentro deles
a pureza e a confiança perdidas.
Sou um grão de areia nesta praia extensa
mas quantos grãos de areia também não querem
vamos nos unir, vamos conseguir
basta termos a confiança dos pequenos.
LUCONI
11-10-08
Muitas vezes olho a estrada... As flores contam de meus olhos sorrindo à vida. E vou...saltitando que nem menina ao ganhar um presente. E ganhei. Vejo as pétalas conversarem do calor do dia e falar que vamos seguindo... tais as pessoas de meu lugar: “Vou indo”... Ah, o calor do sol pode também dizer de como é quente meu querer pela vida... E vou nessa estrada florida que se desenha em versos de uma prosa...
Era dia claro de chuva fraca... as violetas tocavam em Sol envoltas no sereno fino. Eram uma estampa de encher os olhos de um colorido terno. Numa música harmoniosa suas pétalas abriam-se marcando as faces das teclas do dia.
Eram singelos caminhos por onde nasciam as violetas. Enraizavam-se em sonhos de meninos simples; desenhavam desejos de borboletas apaixonadas pela fina chuva que prenunciava uma manhã de inverno.
Eram flores que despertavam amor no mais oculto coração... E eu as vi; contando de dias em que ensinaram um coração de homem a sorrir... e a falar de Flores!...
Eram flores na estrada... E fui seguindo... seguindo... sorrindo.

Abro minha janela
Sol de fim de tarde
Vento quente no rosto
Bem-te-vi na faveira
Canto do vaqueiro ao longe
Flores fechando as horas
Cheiro de jatobá quebrado
Menino voltando da escola
Mulher com balde d’água na cabeça
Balanço das palhas da carnaúba...
Coração amante das matas
O sertão tem paisagens
Debruço-me na janela

Às vezes me pego pensando em ti
Sem ter tido adeus...
Um silêncio me abraça
Tão profundamente
Como uma saudade.
Levo meus olhos
A lugares nossos
A toques de carinho
A palavras não ditas
Nas horas em que ficamos
Olhando-nos
Timidamente
Como dois adolescentes
Antes do primeiro beijo.
E deixo meu olhar seguir
Sorrindo um até logo
Sem dizer adeus
Apenas por gostar de pensar em nós...
Parecem todos iguaizinhos, não ?
Mas cada um mostra um temperamento: um é curioso, outro bem atento e outro bonachão e sonolento...
No entanto, todos estão juntos e felizes. Podemos ver pelo brilho de seus lindos olhinhos...
Assim também nós, devemos conseguir viver e conviver em nossas vidas com nossos semelhantes e seus mais diversos tipos de temperamentos e ainda assim, ser feliz...
Um lindo domingo, com os olhos bem brilhantes e então, cuide bem desse brilho!
Não deixe ele acabar nunca!(Chica)
Todo teu corpo parece contido nela
Entranhado em meus poros
Profundamente em cada célula
Um cheiro de masculinidade
Mesclado com o sabor da ternura
É um cheiro que me rega as horas vazias
Ardendo em mim um provocar de arrepios
Uma chama flutuante em meus olhos
Envolvendo-me em atmosfera de sonhos de amor
“Que cheiro de homem amado!...”
E os perfumes das flores sabem disso
Pois dão uma voltinha além de mim!...