Floresta calada
A noite adentra em seu regaço
Seio frio nu
As marcas da serra n’alma
Triste mãe ferida
Folha ao vento eu sou,
e é bom estar ao vento,
ele traz, eu seguro,
ele leva, eu deixo,
com o vento eu não teimo,
não adianta teimar,
o caminho que me leva,
sigo eu sem pestanejar,
o acolho com carinho,
o melhor de mim eu dou,
aproveito colho flores,
esquivo-me dos espinhos,
algumas sementes semeio,
e assim eu vou vivendo,
esta vida solta ao vento,
nunca sei quando virá,
nem para aonde irá me levar,
sei apenas que nesta terra,
quando para mim não houver mais caminhos,
a Ele me levará.
Luconi
10-01-09