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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Radiosa...


Entre galhos é flagrada
sua luz é a maior
noite de luar
chica

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Gente simples

Vaqueiro de Piracuruca
Saí de casa com a fina intenção de fotografar uns mandacarus. Apenas raiou o dia e lá estava eu numa estradinha erma e olhos atentos ao mato. Adentrei numa porteira, melhor, subi nos paus que protegiam a entrada da propriedade de Seu Pedro, um senhor da comunidade local. Bem, o certo é que me espantei quando ouvi o trote.
Um homem a cavalo vinha na estradinha. Se tinha se apercebido de mim não fez movimento que o denunciasse. Fumaça seu cigarrinho de palha entretido na fumaça que subia. Era cedo ainda e podia-se ver o orvalho no capim. Talvez pela terra meio molhada eu houvesse percebido o som das patas do animal. O capim produzia um som de rio correndo barrento depois da enxurrada.
O cavalo vinha num trote bom. Fiquei parada a observar com meu celular na mão. Minha arma de fotografia. Notei que o sertanejo puxou as rédeas do animal e fê-lo parar a alguns metros de mim.
_Bom dia, Dona!_ Ergueu um poço a aba do boné, desses de propagandas.
_Bom dia, Senhor!
_A senhora anda batendo foto de fror? Tem muita só quando chove...
Seus olhos, de um acentuado tom castanho, tinham um sorriso largo e brincalhão. Pensava com seus botões de para que a serventia de fotos de flores. Apenas lhe expliquei que minha intenção primeira eram os mandacarus; ao passo que ele lembrou-me de elas só abrirem as pétalas brancas à noite.
E senti-me nua de saberes diante daquele homem. Via-se em sua postura, toco de cigarro na ponta dos dedos, que ele era dono do saber da região. O corpo franzino já devia ter percorrido a pé ou no lombo dum cavalo cada vereda por dentro daquele mato. Pois sim, eu trocaria com ele umas palavras e descobriria como tirar fotos de uma flor de mandacaru.
Indagou se eu não seria irmã do Cerqueira, ex-enfermeiro de ofício lá da cidade. Com minha afirmação ele se derramou em explicações de como meu irmão uma vez tirara um anzol da perna de um dos meninos dele. E meus mandacarus esquecidos. Ouvi. Então, após um silêncio em que notei ter ele terminado sua história, fiz carinha de quem quer algo.
Ah, fui convidada a passar uma noite na casa dele e ainda teria um jantar de galinha caipira com pequi! Seu menino mais velho, de nome João Manoel, iria comigo pastorear um mandacaru soltar a flor na calada da noite.
Aceitei é claro! E meu coração acelerou os batimentos que tive medo do vaqueiro notar. Era um homem simples... que sempre sabem ser gente!
Voltei para casa só com a foto dele eu seu cavalo e também de umas flores do sertão. Brancas. Minha alma tais elas estava em Paz!... Lembro de ainda ter jogado um beijo a Seu Lourenço. Ele tinha ficado lá na entrada da porteira olhando-me sair na moto.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Flores do sertão
Cortejam o sol embora
O calor maltrate

sábado, 30 de janeiro de 2010

Criança na casa.
O que vai fazer o ursinho
Na hora da escola?


Foto Google
Concurso no lago
De branco, as garças concorrem
Pela melhor imagem

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


Foto Vicenzo Pastore - Google
Abrem-se janelas
Ao redor do realejo
Toda a criançada


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010


Arregaço as calças
Os braços do rio alongaram
Na chuva da tarde



Foto Google
De tempos antigos
O cocorocó dos galos
Acorda a fazenda



 Foto Google
Lanternas acesas
Sem estrelas só os vaga-lumes
Pelo sertão adentro


domingo, 24 de janeiro de 2010


Foto Google
Talvez por contraste
Ao chão seco e pedregoso
Nasceu uma flor


sábado, 23 de janeiro de 2010


Foto Google


No galho da árvore
O menino da vizinha
Salva meu gatinho



O menino acorda
São tantas as brincadeiras
Que o dia é curto





 Na beira da água
Os chinelos são esquecidos
Banho no riacho

Foto na parede
A anciã de pé relembra
Das negras madeixas 






Chego na cozinha 
Minha irmã oferece-me doces
Pego é do tacho


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010


Vejo a natureza
As flores nascem até 
No meio das pedras


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010


No semiárido
Dia de chuva é festa
Para a molecada

 Foto Google
Alta noite escura
A coruja em seu silêncio
Vigia a cidade

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Foto Google
Vento em correria
A folha desliza ao chão
Vem uma formiga...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


Foto Google
Xote no sertão
Dois para lá dois p'ra cá
_Toca, sanfoneiro!

domingo, 17 de janeiro de 2010


Foto Google
No fluxo do rio
A formiga a velejar
Se a folha virar!


sábado, 16 de janeiro de 2010


Foto Google
Em largas braçadas
O peixinho preso cruza
Todo o mar do aquário


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010


Foto Google
Tremendo de medo
O pintinho chama a mãe
Oh, pobre minhoca




Foto Google

Envolto na areia
Um fiozinho de água
Chora abandonado


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Crianças na foto




E como ar de retrato vivo, as crianças sentadas no chão, eram figuras de rostos angelicais. E, embora se soubesse que a imagem não tinha movimentos, os olhos dos observadores buscavam um sorriso, um sentimento de alegria, algo que afirmasse a felicidade.


A menina olhava de lado, perdida numa cena no mundo dela. “Lá, lá, lá...”, ela deixava a imaginação se ir e os pezinhos querendo dançar. 


O garotinho brincava de homenzinho e faceiro olhava a seu redor. As curvas do sorriso penetrando na alma e correndo ligeiro para a luz do ambiente.


E por que dizer que era apenas uma foto, penso baixinho, acercando-me dos dois querendo dar beijinhos, girando meus olhos para um e outro, sem prender-me neste ou naquele, se tanto a beleza me encanta nos dois seres? O batimento no coração se acentua em mim, de modo tão bom, que tomo nas mãos este momento e gasto palavras sem fim. 


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sons da cidadezinha



Desmaia a tarde. Brincam no céu as cores laranja do sol. Escondem-se as formigas no chão. O gato em cima do muro caminha até a casa da vizinha.  Passa o vento na amendoeira derrubando as folhas avermelhadas.  Na rua já se veem homens em suas bicicletas retornando do trabalho. Ladram cães na rua de baixo desfazendo o silêncio. Algumas das flores do jardim deitam as pétalas. 


Chega uma menina toda arrumadinha e senta num banquinho preso a dois paus de madeira fincados no chão na frente da casa. Observa as trepadeiras no muro de cimento. Não há flores ainda. Os ramos verdes e tenros sobem mesmo na adversidade do lugar. Prendem-se às saliências do muro já gasto e antigo.  A menina conserva no olhar um sorriso que trouxe de dentro da casa. Cantarola baixinho. “Sapo cururu da beira do rio quando o sapo canta, maninha, cururu tem frio...”


Salta o gato do muro e vem brincar nas pernas dela. Ronrona uns instantes e como não recebe muitos afagos da menina, corre para detrás da casa. Alguém chega ao portão de tábuas de madeira e chama a menina. É a filha da vizinha. Esta tem os cabelos penteados em rabo de cavalo e seu vestido é de passeio à tardinha.


Na igrejinha, o sino toca para a Ave-Maria. E pela rua seguem as meninas rumo à oração das seis.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

De rosa a poesia




Sente, menina, a vida
Lá fora! De repente um botão
Fez-se rosa

Caminhando serenamente...

Num doce frescor do dia
Diante do tempo que passa
Em pura imagem de mistérios

Uma rosa floresceu no jardim do dia...

... E rosas fazem poesia...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010


Foto Google
 Sonhar é preciso!
Insiste a gota de orvalho
Ao nascer do sol



Foto Google
Presa no bambu
Uma lágrima da noite
Em exílio do sol


Foto Google
Sploct sploct no banheiro
Frágeis nas pequenas mãos
Bolhas de sabão



Saudoso o sol nasce
O anoitecer melancólico
Deserta em estrelas


Foto Google


Diante do sol
Os passos do sertanejo
No meio da sombra

domingo, 10 de janeiro de 2010



Ciúme nas flores
O sol ancora dourado
 Entre os girassóis


Em papel vermelho















Devagar o lápis
Avança no papel vermelho
Risca uma rosa
(O pintor está apaixonado)
A borracha deita em suspiros


Profecia



Sucessivas vezes
O vento passa rasteiro
É cair da tarde
No céu as nuvens carregadas
Profetizam chuva






Floresta calada
A noite adentra em seu regaço
Seio frio nu
As marcas da serra n’alma
Triste mãe ferida



Derradeiro grito
No céu infinito as estrelas
Rompem em conversas
Enquanto a voz do trovão
Alça voo após a chuva

sábado, 9 de janeiro de 2010



Canto solitário
Em sua gaiola o pássaro
Olha o horizonte

Palpitação



Meus dedos gelados
E um frio no coração
É tua presença!
Vejo tua boca ardente
E o sol silencia em mim




Tranquilo tranquilo
Um gato lambia as patas
Em cima do muro


Nômade



Capim alto verde
No meio dessa floresta
 A andante formiga


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010


Barulho no quarto
Uma mariposa dança
Aos passos da luz



Janela fechada
O vento muda o caminho
E brinca nas árvores


Por trás das nuvens
O sol nascente se esconde
Ainda com sono



No perfil do vento
A palmeira bamboleia
Seu teto de palhas

terça-feira, 5 de janeiro de 2010




É seca sol forte
Nos mandacarus in natura
Água para a sede

domingo, 3 de janeiro de 2010


A cidade acorda
Fitando o céu um Louva a deus
Tem os pés no chão



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


No alto da serra
O verde desce num cipó
E põe os pés no chão

Consciência no trânsito...

Feriadão chegando
quem vai quer e deve
também voltar
chica

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Alma de pescador



Alma entregue ao rio
O pescador guarda a rede
Era piracema